segunda-feira, 27 de junho de 2016

ASA DELTA

Lembro do primeiro dia que fui no Clube Asa Delta, não quero me ater muito a datas, mas sei que não fazia muitos anos de sua inauguração! Não sei quem me levou, mas eu era bem jovem, com uns 12 ou 13 anos (sempre fui metido a mais velho, até agora sou). Dancei bastante, cena show, com direito a rodinha de aplausos e palmas ritmadas durante a performance... um luxo só! Quando não havia o clube naquele espaço, íamos para escola por um carreiro feito por insistência da população, naquele terreno gigante que até hoje não foi totalmente habitado. De repente surge suas estruturas e o galpão de algo que não sabíamos o que seria e não tínhamos ideia da mudança que ocorreria na Vila e em nós mesmos.
Houve um vendaval absurdo na região logo quando eles inauguraram o clube e ele, assim como o futuro ginásio de esporte, voou! Criaram a lenda de que o nome Asa Delta era por que já tinha voado uma vez! Claro que é uma piada, ele sempre se chamou assim, mas a piada de propagou com o tempo. Aliás, nomes, apelidos, designações, formas de se referir a ele nunca lhes faltaram, para o bem ou para o mau! Sei de: “Tidão” (tidão soco, tidão facada, tidão tapa, e assim vai...), “Derta” (quase que segundo nome) “Asa”, “Zé Carlos” (nome do meu amigo proprietário, as pessoas falavam: ”vai no Zé Carlos hoje? ”), “Clube”, “Sarau”, “Risca Faca”, enfim...
Nos primeiros anos tínhamos dois dias de funcionamento, sexta e sábado. Na sexta eram os chamados Saraus e nos sábados Baile Gaúcho... com a nata dos conjuntos musicais de Guarapuava, Pinhão e região. Depois veio o domingo com mais “balanço” e por fim haviam duas pistas de dança e tudo acontecia ao mesmo tempo. Vou tentar falar das características desses eventos.
Os Sarais eram os meus preferidos! Combinávamos com a turma, fazíamos um esquenta íamos para frente do clube. Muito comum era que sempre tinha alguém sem grana para entrar (muitas vezes essa pessoa era eu), aí então vinham as possibilidades: falar para fazer mais barato, ficar esperando lá fora enquanto alguém ia ver se “cavava” com outro alguém dinheiro ou se tudo desse, errado esperar a bondade do Bodinho (porteiro mor) que poderia deixar entrar nos instantes finais... Tinha noites que lá fora era mais divertido, e badalado. Pois como já disse, muitas vezes ficava lá fora, antes por estar sem grana e depois, com a lei antifumo, saia para fora fumar e nunca mais voltava (aliás um habito eu adquiri com a nova/velha lei: “ficar mais na ala de fumastes...”).
  Nestas noites tinha som mecânico com os djs residentes, as vezes convidados. Muitos passaram por essa função! Me recordo do Júlio, do Carlão, do marcante DJ Albino, que cresceu discotecando aos nossos olhos, e tinha que ouvir nossos pedidos e oferecer nossas músicas... “E fica a última da noite! ”... Quantas vezes não ouvi essa frase!!!!  Seja quem fosse era sempre guiado por uma rígida seleção musical que tocava sempre as mesmas músicas e as mesmas sequencias de gêneros.
Primeiro “balanço” ou “tunch tunch”, como o melhor da década anterior, vejam só... Muita coisa dos anos 80 e 70 tipo,  Modern Talking, Francsco Mapoli com sua “Balla balla”, Vengaboys, A música que falava “eu quero uma canção que libere as emoções pra cantar pra dançar...” que tocava três vezes seguidas! Acreditem! Uma em cada idioma! E seguidas! Inglês, português e espanhol! Por que?! Sempre foi um mistério para mim! Também tocava coisas que rolavam nas rádios, mas nunca com o toque de modernidade exigida, só quando levávamos o CD e contribuíamos com os sucessos... rolava sambas, axés, funk e gêneros da moda,  tudo feito com passinhos previamente ensaiados e mostrados com destreza...
Esses passinhos mereciam um estudo a parte, com mais carinho, aqui só preciso dizer que eram criados e ensaiados e executados com fervor pelas pessoas! Salve Dete, Adilsinho, Paulinho, Silmara e companhia! Eu não me deixo fora dessa pois sempre dancei e incentivava! Acho que essa sempre foi minha missão no Derta: dançar e fazer o povo dançar! Passinhos, no meio da roda, até o chão.... Lá que desenvolvi meu conhecido jeito de dançar loucamente da forma que eu quiser! Sempre chamando a atenção por causa disso. Bem, como sempre digo, parodiando Nietsche: “Não acredito num deus que não dança até o chão”. 
 Depois era o momento das músicas gauchescas onde alguns faziam floreios e outros apenas exibiam o poder de seu vanerão e o quanto seu xote era mesmo largado. “Em xucra bailanta de fundo de campo...”, cantava a música. Era agarrar o par e sair se lascando pra pista! Gastando a sola da bota e arrodiando o vestido imaginário! Momento de também de dar uma saidinha lá fora e ver como que tava o rolê, hora que tomar um ar, um gole, fumar um cigarro, fumar, arrumar uns esquemas, conversar com o povo... para mim, uma semi pausa que eu fazia um pouco de tudo o que citei a cima. Em seguida a parte mais horrível na minha opinião, e mais amada por muitos, a hora da “lenta”, momento de pegar o esquema e dançar coladinho com a música sertaneja mais querida (Amado Batista e afins) ou a musica sertaneja mais ouvida ou a música do par romântico da última novela. Essa hora eu sumia mesmo! Ai vinha o início da sequência de novo: balanço, gaúcha, lenta (hora de sair ir embora, se achar ou se perder de vez...) Esta segunda parte era essencial para a noite. Era ali que você já estaria mais bêbado, pegando alguém, ou sabendo se foi muita gente ou não foi, ninguém ia chegar depois disso... e talvez tocasse algo como Guns n Roses, sempre Sweet Shine o Mine, para acalmar a alma roqueira de alguns...
Os bailões de sábado eram um pouco diferentes. Iam as pessoas de mais idade, famílias e pessoas não habituais. Sempre tinham mais sucesso de público que os sarais. Recordo de grupos como: Os Manos, Os Pirilampos, Tche Pampianos, Alvorada Campeira, muitos devem ainda existir e fazer o sucesso dos pseudos gaúchos da região... e as pratas da casa: Os garotos de Entre Rios (que teve uma carreira meteóricas, mas significativa) e o adorado (que eu admiro muito) Wilson e seus teclados, meu amigo Wirsinho que eu tanto admiro. Faziam o povo dançar de gastar a sola da bota e deitar os cabelos. No intervalo, balanço e lenta, depois o conjunto voltava a tocar e logo terminava. Tinha os eventos especiais como as promoções do colégio, as “noites não sei o que” (do parafuso, da gata molhada, das torcidas, do havai, da cerveja, da cuba...), e os bailes de festividades oficiais como o natal, revelion, pascoa...
Aos poucos o público foi mudando, outras gerações vieram, muitos desses rebentos nasceram de encontros ali. Houve mortes também, muita briga, pois o povo não sabe beber sem dar bafo. Esses acontecimentos trágicos faziam a má fama do lugar. Falsos moralistas falavam mau do espaço e de quem frequentava. E ainda tinha aqueles que, por algum motivo, tinham vergonha de dizer que iam lá, sempre aparecendo bêbados no final como se estivessem se permitindo uma farra antes de ir na igreja confessar que pecou. Mulheres esperando seus maridos, escondidas na esquina, os “alemão” que apareciam e logo sumiam, as pessoas que estava trabalhando em outros lugares (na época Curitiba, hoje Itajaí) que iam visitar a família e gastar dinheiro e a roupada nova que comprou com o dinheiro que estava ganhando- tipo ostentação. Mas todos acabavam aparecendo para expurgar seus males um pouco. No fundo, todos querem ser alegres, mesmo sendo hipócritas as vezes.
Hoje o Asa Delta não existe mais! No momento em que eu escrevo o espaço está alugado para uma igreja. Parece uma ironia gigante essa transformação, mas não é, creio eu.  No último Natal, estava eu lá na Vila  com minhas amigas e logo depois da meia noite começou uma sessão de saudosismo; “se tivesse o Clube, agora tava todo mundo se arrumando para ir, que saudade do Asa Delta! ”... Como eu disse antes, sempre frequentei o Derta, teve uma época que nem entrada eu pagava (!), e sempre defendia quando surgia a reclamação geral de que sempre tocava as mesmas músicas e iam as mesmas pessoas. Reclamação essa super válida, inclusive! Pois o que meus amigos e amigas não entendiam na época era que lá estava a nossa liberdade, o nosso espaço, nossos 15 minutos de fama, nossa oportunidade de ser mais feliz, de dançar sem medo de quem estava lá fora espiando e criticando! Éramos felizes e não sabíamos. Sei que ninguém imaginava que um dia ele iria acabar e fomos pegos de surpresa, deixados como órfãos de uma boemia cabocla, barbara e também ingênua. Nosso lugar comum, de compartilhar alegrias e frustrações, de amores e dores, sons e fúrias... nosso templo. 

PS: PARA LER OUVINDO ESSA MUSICA
https://www.youtube.com/watch?v=omiMlOkSePY

segunda-feira, 16 de junho de 2014

COPA DO (MEU) MUNDO


  PRÉ SCRIPTUM : Um certo professor me pediu que escrevesse sobre a Copa do Mundo aqui, que na época estaria começando, no Brasil e refletisse um pouco sobre o impacto desse evento na cultura do nosso país. Bem, achei esse trabalho de gosto mais do que duvidoso! Me recusei intimamente em fazer, fiz cena, achei uma proposta meio "matação", mas... acabei fazendo! Me rendi ao tema da temporada e escrevi algumas linhas. O resultado é o que se segue abaixo, uma exposição ensinofundamentalesca sobre esse período curioso... Achei interessante publicá-lo aqui, mas ainda não tenho certeza se o faço pra expor minha humilde opinião ou se para publicar alguma coisa neste meu espaço que esta abandonado às moscas... Seja de que maneira for deixo bem claro aqui que não sou contra o futebol... apenas ele não me interessa! Assim como muitos dos meus gostos não afetam ninguém, ou pelo menos uma grande parcela da sociedade... Sei lá, perdeu a graça pra mim, não que um dia teve, mas houve o juiz Margarida que eu achava o máximo na minha infância (envergando o corpo para atirar ao ar algum cartão vermelho para o machismo palpável do esporte), houve a Copa de 1994(?!) com os Novos Baianos dizendo que o molho da baiana melhorou o prato do Tio San em um comercial de chinelos e houve o Raí que bem... que é da época sabe que dispensa explicações... Parece que visivelmente os meus 90 minutos passaram a muito tempo... Lá vai o texto:

Somos considerados o país do futebol, cultuamos o futebol arte, nascemos pré-dispostos a fazer um drible estonteante a marcamos nada menos do que gols de letra. Sabemos o que é uma bicicleta, uma cabeçada, quando somos jogados pra escanteio, quando damos tiro de meta, quando somos gandula, quando tomamos um frango ou quando chegamos quase dizemos que:foi na trave!... Enfim, nossa memória futebolística esta cravada em nosso inconsciente desde o primeiro minuto do primeiro tempo de nosso eterno flaflu que é a vida. Temos o time com e o sem camisa, já fomos a algum "campinho" e sabemos que jogar uma pelada não é atirar no espaço uma mulher nua. Mas como nem toda feiticeira é corcunda e nem toda brasileira é bunda, gostar de futebol não é uma verdade universal entre os brasileiros. Eu não me sento atraído pelo esporte e conheço muitos que também não o são. Mas, infelizmente estamos fadados à generalização e dizer que não gosta de futebol pode se tornar o seu suicido social em alguma ocasião especifica; parece que não saber sobre a rodada do brasileirão as vezes pode parecer uma completa alineação, um pecado, uma heresia contra os deuses da bola!
Quando soube que a Copa seria aqui no Brazil, fiquei pensando de onde sairia o dinheiro para as construções, reformas ou melhorias em nossos esparsos e decaídos espaços para o esporte, afinal, não é novidade ver esportistas chorando as pitangas e implorando patrocínio para que possam viver plenamente sua profissão. Claro que os ricos salários de uma parcela minúscula de esportistas brasileiros (mais os ligados ao futebol), mas aqui minha intensão não foi subjugá-los, apenas estou deflagrando a diferença que entre esses universos. mas houve uma comoção geral no resultado que nos definiu como anfitriões: foi plantão na TV, todos vimos ao vivo e se mexendo o choro emocionado de Lula e da comissão toda (ohhhh que fofo!).
Trabalhei em uma escola que funcionava no pátio de uma igreja desde sua fundação e demorou 12 anos para que o governo pudesse enfim mandar a verba para a construção das tão sonhadas instalações da escola. De repente, com o anuncio magico de seriamos sede,  o milagre aconteceu: dinheiro surgiu não sei de onde para a construção de estádios e repaginação de favelas e avenidas.  Bancos e empresas abracaram a causa e começou uma mimi odisseia infernal para quem como eu queria trabalhar mas havia uma obra da Copa no meio do caminho. A policia, em um piscar de olhos tomou conta das favelas! Anunciaram um dia antes na TV um pedido para que gentilmente os traficantes saíssem de seus, até então, habitat natural e fossem para outra freguesia! onde antes apareciam para metralharem traficantes ou receber a propina deles de cada dia, a partir daquele momento seriam uma presença constante, uma união para o bem maior da pobre população dos morros que a anos vinham sofrendo nas mão daqueles monstros aproveitadores, que se aproveitavam das vistas grossas do governo (que parecia ignorar a organização autônoma - e forçada, diga-se de passagem- das populações dos morros). 
O Jornal Nacional deu uma super cobertura á esse nobre feito da nossa liga da justiça, nossa unidade pacificadora, nossos cavaleiros Jedi! Rimos aliviados com as imagens de pós adolescentes que se misturavam a outros em uma fuga alucinada do morro, antes da chegada triunfal (de tanque e tudo) de nossos arautos da paz! A reportagem terminava com um plano aéreo  contornando a Igreja da Penha, no Rio de Janeiro, com um incidental Caetano entoando versos que pediam, em uma prece verdadeira, que alguém protegesse o seu baião! Bem, baião protegido, construções a todo vapor, até a novela nova das nove fazia merchand do turismo delicioso que é subir um morro que tem vez!
Ai vem os pobres do país felizes com seus empregos temporários e batendo no peito com orgulho para dizer que uma de concreto naquele estádio lindo e majestoso foi colocada por ele, sem querer levar em consideração que talvez essa seja a relação mais próxima que ele vai ter com os jogos que irão acontecer no período da copa. Afinal este espetáculo é para o mundo ver... Não para o submundo. As obras começaram a dar no saco para quem tinha horário a cumprir, todo mundo quis tirar uma casquinha ( ou deixar apenas uma casquinha) do abacaxi arquitetonico que estava sendo erguido Brazil a fora! Alguns cavaleiros Jedi pacificadores começaram a utilizar os seus sabres, que não eram de luz, na população que libertaram! Moradores de locais especificos onde construções iriam se erguer começaram a colocar a boca no trombone dizendo que estavam sendo expulsos de seus lugares sem que fossem avisados previamente! Videos de pessoas sendo humilhadas, perdendo tudo ou ameaçadas, começaram a bombar no Youtube... e o prato começou a ficar cheio para os debates efemeros das redes sociais.
Em Junho do ano passado as pessoas foram às ruas protestar contra a Copa com uma finalidade muito bem estipulada: encontrar os melhores ângulos de suas fotos com cartazes em punho para o Facebook... As pessoas começaram a achar um absurdo ver que as poltronas de determinados estádios eram carissimas, enquanto pessoas dormiam no chão em leitos improvisados de hospitais publico ( mas uma Copa não se faz com hospitais!). Já chega! Esse berço explendido esta muito pequeno para o nosso sono eterno! Vamos vestir nossa mascara emprestada do filme holiwoodiano de algumas tempporadas passadas e mostrar para o mundo, via Instagram, como somos politizados e estamos contra essa robalheira! 
Um ano depois, ninguém mais fala disso, pois o orgulho de vestir a camisa canarinho é bem maior do que os dois reais e vinte centavos de discórdia. A moda mudou: pra que protestar?! Se adiantasse alguma coisa! Já que ta que vá! Agora não vamos fazer feio, afinal o time do País do Futebol precisa de nossa energia para ir para frente! Queremos mostrar que podem me roubar mas não sem antes levar um "olé" bem grande da minha força, da minha raça! Vamos juntos, vamos! Pra frente Brazil!  Quem quer saber de educação e saúde quando Neymar está em campo? Quem quer saber de miséria quando Galvão Bueno (tal qual o grito de sereia) entoa o tão esperado gol?! Quem precisa de moradia quando meu time já tem seu tão esperado estadio?! Quem quer saber de emprego quendo posso comprar meia duzia de bandeirinhas, alguns apitos e vender para estrangeiro na frente do estadio?! Isso de protestar contra a Copa neste momento é coisa de reacionário, antipatriotra! Pessoas mau amadas que não querem saber de nada! Pessoas sem Deus no coração, insensiveis; que não tem capicidade de chorar perante a letra linda do hino que vai tocar antes do jogo que diz diz que um filho seu não foge a luta!
 Bem, além da alma colonizada, do carnaval e do Futebol Arte a memória fraca também parece nos ser um patrimônio cultural.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O ADORÁVEL HOMEM DAS NEVES

            O livro Trópico de Capricórnio, de Henry Miller, começa com a seguinte frase: "depois que nos livramos do fantasma, tudo segue com infalível certeza, mesmo no meio do caos"... Faz dois dias que estou pra começar a ler esse livro e só agora de madrugada é que tive uma espécie de coragem pra iniciá-lo. Não que eu tenha medo dele, ou que ele seja algo para escolhidos, iniciados em algum mistério ou mesmo para intelectuais cheios de recalque, nada disso; venho de uma longa jornada literária que acabou há dois dias e estava me sentindo um pouco órfão literário... Agora estou aqui com esse osso pra roer! Mas um osso bem suculento, diga-se de passagem!
Há uns sete anos atrás, comprei no sebo os volumes de Sexus e Nexus, dois livros da trilogia A crucifixarão Encarnada, e fiquei fascinado com a escrita de Miller! Do mesmo sebo levei também sua autobiografia e me encantei! Suas historias são absurdamente reais, seus heróis são pessoas de seu convívio, transformadas em literatura! Sua obra toda é um grande diário de bordo, onde a vida dita suas formas de agir na literatura! Ele personagem principal de sua obra! Sem narcisismos baratos, até porque a visão que ele tem dele mesmo é muitas vezes niilista, irônica e depreciativa! Foi identificação na primeira olhada, amor à primeira vista! E talvez essa paixão icônica que me tenha impulsionado a escrever agora, largando o livro nas primeiras oito páginas trabalhando kerouakquicamente em um escrito que não sei no que vai dar.
            Hoje nevou! Dia 22 de Julho de 2013, às 19 horas aproximadamente, minha amiga saiu da locadora onde eu estava e disse que seu guarda chuva tinha embranquecido! Corremos para ver e sim, estava nevando! Tenho uma lembrança, não sei se real, de ter visto algo parecido com neve na minha infância: um frio de lascar que de repente parecia ter sessado e o carrinho de mão lentamente se cobrindo de brancos flocos, no pátio da casa da minha vó, a poucos metros de onde eu escrevo agora. A euforia hoje foi geral, amanhã não se falará em outra coisa a não ser da neve, de o que cada um estava fazendo quando viu ela, das fotos e vídeos que se fizeram, da maravilha que é a natureza... ops, não se se das maravilhas da natureza falarão afinal de contas a muito se sabe que o tempo nunca agradou a todo mundo: se esta frio é ruim, se esta calor é ruim, se chove é o fim e se neva bem, vamos esperar o debate caloroso sobre a neve amanhã!
Eu em particular, achei lindo e ao mesmo tempo assustador. Lindo por ser algo inédito pra mim e ver a empolgação toda das pessoas, me fez pensar em como a natureza pode tornar a simplicidade a coisa mais fantástica do mundo! E assustador por pensar em como a natureza mudou, ou melhor, como mudamos a natureza a ponto de fazê-la chegar a extremos! Não ficarei admirado se o verão for de 50 graus, ou se nem houver mais verão! Implacável! O fato é que ainda neva lá fora e essa estranha meteorologia reflete um pouco meu estado de espirito, inquieto, frio, úmido, mas também novo, apenas com flocos brancos como detalhes, mas com a mesma sensação térmica de um frio que sempre houve por aqui! A imagem é nova, a sensação não! Mesmo parecendo novidade fica o pensamento ancestral de que este filme eu já vi.
            Longe de casa a mais de uma semana... Isso esta me deixando um pouco deprê! Acordei hoje agridoce, tirei minha barba e me desloquei um pouco no espaço/tempo, apesar da aparência mais jovem, não consigo ficar sem ela e isso é um incomodo! Acabei de ver o filme Impulsividade, onde um adolescente não consegue perder o habito de chupar o dedo e isso me levou a pensar em como é complicado mudar, sair da zona de conforto e brigar com seus demônios interiores... Admitir que temos coração, que somos frágeis, que as pequenas coisa doem, que criamos ilusões, que achamos cabelo em ovo, é complexo. No filme a Tilda diz uma frase que eu não lembro ela na integra, mas que era algo como ser viciado em fantasia, creio nisso sim. Agora mesmo estou eu aqui achando uma forma de colocar no papel o fato de me sentir sempre em estado de paixão pela mesma pessoa há anos! Pronto! Falei!
Acabo me sentindo como na música que diz: toda vez que eu tento me perder, acabo me encontrando perto de você... E essa é uma fantasia que criei e que não consigo mudar! Parece ser uma metáfora ao contrario da minha barba que não consigo ficar sem, quando isso acontece me sinto nu, e essa paixão adolescente-mal-resolvida vem sempre como uma lamina afiada prestes a me deixar depilado e desprotegido. Parece que as pessoas podem me olhar lá no alto de minha autoconfiança e rir com sarcasmo de minha humanidade. Não que eu seja desumano e arrogante, pelo contrario sou sensível aos outros e ao mundo, mas ficar lá em cima é algo que me é confortável! Sim... O amor é estranho e sem forma, o amor é anormal.
            Meio que me fechei pra essa historia de relação a dois, não acredito nisso piamente e nem torno isso o fator que impulsiona a minha vida, pelo contrario. Mas acho que por falta de repertorio, sempre acabo esbarrando na mesma pessoa que por ultimo me senti arrebatado. E isso já faz muito tempo! O que significa que eu deveria expandir esse repertório, desbravar horizontes interiores e deixar que novos continentes sejam descobertos em mim. Mas não me sinto disposto a isso e parece que essa necessidade me é colocada de tempos em tempos só pra me lembrar de que posso correr o risco da estagnação, que mesmo não tendo isso como a mola mestra de minha vida, é saudável deixar que as pessoas cheguem perto de você. Já me disseram que as pessoas parassem ter medo de se aproximar de mim, como se eu criasse uma barreira invisível que deixa imaculado, um ser que esta bem longe da simples questão relacional...

E quando estou nesta ociosidade de sentimento, acabo voltando para as mesmas teclas e tocando a mesma canção! É tolice eu sei, mas pra mim de nada vale isso estragaria o meu faz de contas! Mas volto agora para o Henry Miller, penso na minha infalível certeza em meio a caos e sei que isso não é um mal maior e sim apenas uma forma de a vida me deixar tranquilo quanto a minha vulnerabilidade assistida! Não há mal algum em ser ambíguo. Que se isso me acontece novamente é pra dizer que estou no caminho certo: analisando meus defeitos e os respeitando, mesmo sabendo que eles não duraram para sempre!  É o dedo que não paro de chupar, é a barba que não consigo tirar, é o amor platônico que sempre acena como sombra ao longe, é neve que surpreende a assusta pela mesma razão, ser simples... 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

MEUS BENS, MEU MAU.


Uma coisa curiosa me aconteceu nesta ultima semana: coloquei a venda alguns de meus livros e isso pra mim é muito difícil! Tenho uma relação amorosa com eles, pois afinal de contas vivi cada momento de compra, cada mês em que esperei eles chegarem na livraria para exibi-los como minhas mais novas aquisições. Gosto dessa nostalgia do livro, primo pelas edições especiais, empresto para os leitores ávidos que sempre estão prontos a retribuir a gentileza, emprestando outro titulo como refém; e até mesmos para aqueles que não retribuem nada e ainda tomam o seu livro como cativos, para assim dizer... Mas é assim mesmo... A tarefa maior do livro, sem duvida não está centrada em criar poeira em uma estante qualquer! Ou pior: em uma caixa, adormecendo, sem vida!
Vivi o ano passado todo com dor no meu coração por abandonar a grande maioria deles nas terras quentes de Maringá, sem ninguém que lhes fizessem as devidas consultas, as mais necessárias pesquisas! Ficaram por lá, separados de mim pelas circunstâncias mais "novela mexicana" que se podem imaginar, as margens da pós-modernidade. Cheguei a sonhar que um dia os recuperava e quando enfim era me dado à chance de apanhá-los, eles estavam num lugar alto demais... E como eu estava atrasado, com muito esforço consegui pegar um único titulo e de lá sai!... Freud explica! Enquanto isso, no plano da realidade, levei comigo os poucos títulos que couberam na minha mirada bagagem e que achei relevante para continuar minha saga sagarana... Todos sobre teatro! Deve ser o espanto de pensar no teatro como algo realmente redentor, um caminho sábio a trilhar pelas vias mais intensas daquela realidade solar que, se em livro, soaria como uma fabula burlesca! Mas como se trata do que existe, os ares são de amor e de todos os outros sentimentos que acompanham essa dádiva.
            Agora que a necessidade continua revirando meu lixo, pensei que um exercício de desapego não seria de todo mau, um fenki shui capitalista que, sem que eu soubesse no momento, poderia me presentear com alguma conclusão acerca de mim... Sim, continuo acreditando na força que tem a sequencia mortal da "ação-reação", mesmo ela sendo impensada inconsciente! Rapidamente me debrucei sobre os livros que ficaram e escolhi, sem muito pensar, aqueles iriam pra fita: um de exercícios da Viola Spolin, um sobre as teorias do teatro pós-dramático e outro sobre apontamentos acerca do teatro de Grotowiski... São meus companheiros de estrada, errantes pesos de papel que tanto reboliço faz, tantos olhos abrem, tanto sono dá, quantas horas preenchem... Tchau, até, fui, goodbey, aufriederzem, inté mais...
            No mesmo dia as pessoas já se manifestaram e em pouco tempo já estariam fazendo a alegria das pessoas certas! Essa magica dos livros é o barato mais interessante! Eles escolhem seus donos! De certa forma somos domesticados por eles! Como fico feliz por isso! E infeliz também, é claro! Só que essa infelicidade é mais por estar tento que me desapegar na marra do que do egoísmo de tê-los só pra mim! Mas entendo perfeitamente esse truque que os livros nos dão, fazendo com que, absurdamente, acreditemos que eles nos pertencem... Nós passaremos e eles passarinhos!
            É ai que vem a nota de esclarecimento: analisando o assunto, na rua, indo dar aula, descobri uma simbologia especial neste acontecimento: nunca mexi direito nas fichas que a Spolin fez- invento a maioria dos meus jogos teatrais e poderia ter meu próprio fichário  o teatro de Grotowiski me despertou para o modo como vejo as artes cênicas hoje e estar conectado as suas ideias é algo natural em mim, coisa explicado por aquele fenômeno, o espirito da época,  que deixa a arte flutuando no espaço- tempo para ser captada por aqueles que mais sensíveis se colocarem ( como ele mesmo que trabalhava como Artaud, sem antes saber das semelhanças dos seus trabalhos); e o teatro pós dramático, já na minha pós graduação (interrompida) vi que era a forma acadêmica, lindinha, poética, intelctualóide de falar dos processos que vejo nascer, tanto do meu lado como em mim e nas produções que gosto...
Sempre primei pelo entendimento total dos meus processos criativo, seja como ator ou como alguém tentando encontrar soluções ao manejo de cena. E essa talvez seja o ganho maior! Por olhar o processo de criação como um rizoma de conceitos que se estruturam em diferentes áreas do conhecimento; sejam elas estéticas, filosóficas, exatas, químicas, literárias, historias... E quantas mais a força de vontade de criação, buscar em seu auxilio! Dessa forma consigo assimilar com mais facilidade o quão subjetivo somos e abstratos são nossas conclusões... Nada concreto nada palpável.
             Desfiz-me de coisas que estão mais perto, mais colocados ao lado da minha razão, do que me parecia! E precisei drástica e dramaticamente me separar deles para perceber que mesmo sem nos darmos conta, as engrenagens continuam trabalhando e demarcando a hora em que a janelinha vai abrir e dela sair o cuco mais artificial e cantar que, bem ou mau, o tempo passou.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

AMOR REAL E NATURAL

Os músculos expandidos
em cada diâmetro de meu corpo negro
são os mesmos que dilatam quando expostos
ao torpor de sua passagem alva.

É difícil não entender a liberdade
Longe da oferta de seus braços,
sem o cheiro de sua candura
a invadir meu caminho!
Acostumando meus olhos a sua presença.

A embriaguez que ofereces
Também causa danos!
Embrutece o animal!
Esmaga o mínimo de cordialidade
que há no crioulo bom,
domesticado,
na proa de seu navio.

Seria capaz do ato mais cruel
para garantir o seu corpo infante,
angelical e silencioso,
a descansar no sono profundo e seguro
que sempre terás
Ao meu lado.

Talvez a morte
seja melhor aceita!
Se comparado ao medo
De que, tal qual uma tempestade marítima,
O seu amor agite meu amaro coração
E se vá...

Deixando apenas a sensação
Que você  passou sobre  meu peito
E ditou a hora de voltar à margem,
colocar os pés nas areias instáveis da minha orla!

Esperando que sua delicada mão indique o momento
De voltar a navegar o seu sereno mar.


PS: como estou trabalhando em uma adaptação do romance naturalista de Adolfo Caminha, " O bom crioulo", de 1895 para o teatro; fico rabiscando algumas coisas como exercicio e esse poema da série "Poesias do antigo primeiro grau", serve de reflexão melosa e romantica pra uma obra tão naturalisticamente à flor da pele quando essa linda historia de amor  animal... que acontece assim na terra como no mar, superando todo pensamento moral do fim seculo  XXI ...ops... errei XIX !

domingo, 23 de dezembro de 2012

EU E O “NAVIO NEGREIRO” OU NÃO SOU EU QUE ME NAVEGA QUEM ME NAVEGA É O MAR


Ontem foi o dia onde imperou o clima de finalização, pois estávamos apresentando pela ultima vez nossa versão de “O Navio Negreiro”, do Castro Alves com os alunos do Krys e essa me parece a oportunidade perfeita para falar sobre minha relação com esse poema. Desde quando pensei em criar um blog, ficava procurando tópicos que poderiam me valer nessa empreitada e sempre pensava em escrever sobre isso, mas fiquei protelando essa historia toda... pois bem, é chegada a hora.
Minha amiga adorada e professora, a Juca, que me colocou nessa! Vendo que eu gostava tanto do Castro Alves, me pediu para que encenasse pra ela o poema... Eu fiz à egípcia e sorri sem graça, pois conhecia o poema sabia que ele era enooooorme ! Mas ficou a dica... Decorei outro poema, mas não valeu...  Era da fase ultrarromântica dele e a emoção do amor não me caia tão bem assim na época. Mesmo ficando legal, pois era uma das primeiras vezes que fazia uma peça sozinho (coisa q veio a se tornar uma característica minha)! Quando eu, na primeira tentativa frustrada de fuga, sai da Colônia Vitória, Entre Rios (a mesopotâmia que rima jordão com pinhão), para  morar com minha mãe justamente no Jordão, foi quando tudo começou pra valer.
Bateu uma saudade tão grande do meu povo, doía no peito (eu ouvindo a Zélia Duncan cantar que nunca estava lá e que sentir era uma prisão e uma saída), nos finais do dia eu ficava triste por não estar com os meus amigos de verdade (que o são até hoje, diga-se de passagem) e para acalentar essa minha dor decidi ocupar a minha mente com alguma coisa: algo épico, que me fizesse sentir, de certa forma, grandioso, que fosse algo para ser lembrado com carinho... Da mesma forma como eu processava minhas lembranças naquele momento: a flor da pele! Lembrei-me da Juquinha e mais que depressa peguei minha antiga coletânea de poemas do bardo baiano e tracei um plano de meta para decorar aquele poema gigantesco, com palavras dificílimas, frases rebuscadas que me confundiam, mas misteriosamente me encantavam! Era isso! Ia decorar o poema em um tempo recorde e quando visse minha amiga, apresentaria para ela, nem que fosse na casa dela mesmo!
Como o poema é dividido em 6 partes, pensei em decorar uma parte por dia e em uma semana estar consumado  o prodígio! E assim o fiz! Ficava embaixo dos pinheiros que havia em nosso pátio naquela época e, munido de dicionário, queria entender cada palavra dali, falar como se aquelas palavras saíssem da minha cabeça naquele momento... Queria que as rimas fossem esquecidas por quem me ouvisse e que aquela magia que eu outrora senti- entendendo o poema sem entendê-lo em seu sentido concreto, mas no abstrato- também fosse experimentada pelas pessoas. Queria que a criança do jardim de infância, o adolescente pobre, a senhora analfabeta, a executiva exata, o literato humano, o juiz, o ladrão, o policial enfim, todos entendessem e amassem , embarcassem junto comigo no navio! Que todos sentissem o doce ar que a brisa trazia, ouvissem a musica suave que ao longe soava ao mesmo tempo que ouvissem o tinir de ferros, o chicote que estalava, o gemido e o canto misturados, o baque do corpo morto no mar, vessem a dança horrenda da corte que dançava ao som do açoite!
Quando decorei tudo, resolvi ir do Jordão até a Colônia a pé, por uma caminho alternativo que passava pela casa da minha avó, e nas 4 ou 5 horas de caminhada nas solitárias ruas “dos queimado” eu bradaria aos espaços o grito de indignação de Castro Alves. Fiz isso e quase morri de tanto caminhar! Mas deu resultado! Sem modéstia, que não é meu forte marcisita, estava me sentindo o próprio poeta romântico a gritar o seu poema-protesto em praça publica no 7 de setembro de 1868! Falei para Juca, que me convidou para apresentar em uma noite onde os alunos dela iam exaltar os poetas românticos, como jovens  sonhadores em tavernas escuras! E pela rebeldia romântica, que eu sempre gostei, topei e estreei minha performance! As pessoas gostaram! Mas eu queria mais! Inscrevi-me para um evento que tinha na época, conhecido como “noite dos talentos” e com um banquinho, em território dos ricos suábios de olhos azuis, gritei os versos que dediquei a minha Juca, a negra sobrevivente naquele mar de preconceitos em que vivíamos! Acho que essa foi primeira vez que senti que aquela encenação iria fazer a diferença na minha vida!
Passado algum tempo, eu já voltado para morar na Colônia com minha vó, fui cercado de um sentimento horrível de rejeição (que agora não vem ao caso relatar, mas talvez na próxima) que me repelia pra fora daquele lugar! Como se algo me dissesse, da pior forma possível que ali estava minha raiz, mas não era lugar para eu ficar eternamente e na minha despedida, no fim da disciplina de Historia, com a professora mais meiga do mundo a Vanderléa, chamei a Bolinho para me dirigir e o Purga pra fazer a sonoplastia do navio que iria me tirar dali! Em contrapartida a professora convidou a direção do CEEBJA pra assistir e lá estava Neuzinha, Graça, Papi e companhia que me viram e me pegaram pelo braço me levando pra Guarapuava pra me apresentar em um evento deles... E lá conheci a mais Bela do universo, conheci a Adriana também... E um capítulo lindo da minha historia se iniciou!
Foram milhões de apresentações de todos os jeitos: só na sala de aula da Bela foram umas cem vezes (até hoje eu me apresento na sala de aula dela!), na Unicentro também um sem numero de vezes: com iluminação, sem iluminação, maquiado, de cara limpa, com música e movimentos, sem isso tudo; na sala de aula, no corredor, em todas as escolas que me convidavam, para professores, para alunos, para amigos em uma roda de entorpecidos, para meus amigos caretas, na praça, nos ginásios de esportes, na rua, em vídeo conferencia, pela internet, gritando, sussurrando, dançando, estático... E lá se vai a lista gigantesca!
Meus amigos mais antigos chegam a tirar sarro de mim por causa disso! Esse poema se tornou o meu cartão de visita! E quando eu saio da minha zona de conforto e chego a Curitiba, é nesse navio que sou convidado a embarcar! O Krysthian Ratier, o meu artista preferido, me convida para me apresentar ao som dos tambores dos alunos dele! Mais uma vez me sinto como aquele menino memorizando texto entre os pinheiros da casa de minha mãe, como aquele que subiu pra dignificar aqueles que, como ele, viviam entre rios de preconceitos, como aquele cara de cabelos e unhas imensas que agarrava com as duas mãos as oportunidades que lhe apresentavam, ou ainda como aquele que caminhava no sol daquela estrada de chão a falar o texto quilométrico para a plateia imaginária que o ouvia atenta!
Sou toda essa galera junta a remar e a se esforçando para tirar emoções de quem estiver disponível para o encanto da arte! Entre as minhas nuvens também dorme o albatroz, a águia do oceano, e para ele eu sempre imploro para suspender e me dar suas asas, para que eu possa ser todos esses seres que me edificam e me tornam, bem ou mau, esse que sou! Levantai-vos heróis do novo mundo! Pois eu já estou de pé! Terminando esse ano com o pensamento real de que começar com poesia é a melhor forma de mostrar o quanto estamos preparados para o novo, pois ela por si só nos renova... Mesmo uma temática de dor, no caso do poema de Castro Alves, pode transbordar a magia que só a arte pode nos dar: a de que estamos vivos e repletos dos mais inusitados sentidos